sábado, 28 de fevereiro de 2009

É tudo culpa da Dopamina!?

A Paixão sem Mistérios? A Anatomia, a Química e a Biologia do Amor

Então de repente, no bar, na festa, na praia, na fila do banco - não importa -, os olhos se encontram. Primeiro uma ansiedade, um calor no peito que logo se espalha em calafrios que procuramos disfarçar. Um leve suor nas mãos. No primeiro encontro, os lábios ressecam um pouco antes do primeiro beijo, as palavras tremem embaraçadas em pensamentos confusos. Joelhos que mal sustentam o peso do corpo. Esquecemos do mundo lá fora em eternas horas de silenciosa saudade ao telefone, perfumadas com aquela inquietude própria dos amantes...

Quem nunca sentiu coisa parecida? Pois os cientistas querem nos convencer que toda esta áurea sedutora de mistério que envolve os assuntos do coração não passa de uma meia dúzia de manifestações anatômicas e equações bioquímicas. Até onde a ciência pode realmente traduzir em números e estatísticas aquilo que para muitos de nós é a verdadeira essência dos céus na Terra: o Amor?


Primeiro, definindo o amor.
O amor é uma experiência consumptiva। Mergulhamos euforicamente nesta deliciosa tortura e não comemos ou dormimos direito। Freqüentemente, é difícil manter a concentração. A Dra. Donatella Marazziti, psiquiatra da Universidade de Pisa, acredita que pessoas "doentes de amor" estejam realmente doentes: sofrem de um distúrbio obsessivo-compulsivo. Inegavelmente, paixão e psicose obsessiva-compulsiva compartilham diversos aspectos comuns. E isto não é meramente uma teoria sem fundamentos: "ambos estados associam-se a baixos níveis cerebrais de serotonina, uma substância química fabricada pelo corpo que nos ajuda a lidar com situações estressantes", afirma a médica.




Uma segunda descoberta do trabalho da Dra. Marazziti e não menos importante merece ser mencionada: bebidas alcoólicas também diminuem os níveis de serotonina no cérebro, criando a ilusão de que a pessoa do outro lado do bar é o amor da sua vida. Portanto, cuidado com as noitadas.

Fórmulas do Amor: a paixão é uma reação química?
Os cientistas conhecem a Feniletilamina (um dos mais simples neurotransmissores) há cerca de 100 anos, mas só recentemente começaram a associá-la ao sentimento de Amor. Ela é uma molécula natural semelhante à anfetamina e suspeita-se que sua produção no cérebro possa ser desencadeada por eventos tão simples como uma troca de olhares ou um aperto de mãos.

O affair da feniletilamina com o Amor teve início com uma teoria proposta pelos médicos Donald F. Klein e Michael Lebowitz, do Instituto Psiquiátrico Estadual de Nova Iorque. Eles sugeriram que o cérebro de uma pessoa apaixonada continha grandes quantidades de feniletilamina e que esta substância poderia responder, em grande parte, pelas sensações e modificações fisiológicas que experimentamos quando estamos apaixonados.

A Dra. Helen Fisher demonstrou que a inconstância, a exaltação, a euforia, e a falta de sono e de apetite associam-se a altos níveis de dopamina e norepinefrina, estimulantes naturais do cérebro.

Alguns pesquisadores afirmam que exalamos continuamente, pelos bilhões de poros na pele e até mesmo pelo hálito, produtos químicos voláteis chamados Feromônios. Atualmente, existem evidências intrigantes e controvertidas de que os seres humanos podem se comunicar com sinais bioquímicos inconscientes. Os que defendem a existência dos feromônios baseiam-se em evidências mostrando a presença e a utilização de feromônios por espécies tão diversas como borboletas, formigas, lobos, elefantes e pequenos símios. Os feromônios podem sinalizar interesses sexuais, situações de perigo e outros. Se realmente existirem na espécie humana e sua percepção se der de maneira inconsciente, estaríamos permanentemente emitindo informações acerca de nossas preferências sexuais e desejos mais obscuros sem saber?

Os defensores da Teoria dos Feromônios vão ainda mais longe: dizem que o "amor à primeira vista" é a maior prova da existência destas substâncias controvertidas. Os feromônios – atestam – produzem reações químicas que resultam em sensações prazerosas. À medida em que vamos nos tornando dependentes, a cada ausência mais prolongada nos dizemos "apaixonados" – a ansiedade da paixão, então, seria o sintoma mais pertinente da Síndrome de Abstinência de Feromônios.

Com ou sem feromônios, é fato que a sensação de "amor à primeira vista" relaciona-se significativamente a grandes quantidades de feniletilamina, dopamina e norepinefrina no organismo. E voltamos à questão inicial: até que ponto a paixão é simplesmente uma reação química ?

O amor por cima das teorias
Apesar de todas as pesquisas e descobertas, existe no ar uma sensação de que a evolução, por algum motivo, modificou nossos genes permitindo que o amor não-associado à procriação surgisse – calcula-se que isto se deu há aproximadamente 10.000 anos. Os homens passaram realmente a amar as mulheres, e algumas destas passaram a olhar os homens como algo mais além de máquinas de proteção.

A despeito de todos os tubos de ensaio de sofisticados laboratórios e reações químicas e moléculas citoplasmáticas, afinal, deve haver algo mais entre o céu e a terra.

Referências:

1. The Anatomy of Love, Helen Fischer, Norton, New York, 1992.

2. The Smell of Love, F. Bryant Furlow, Psychology Today, 3-4/95, pp. 38-45.

3. What's love got to do with it? The Evolution of Human Mating, Meredith F. Small, New York: Anchor Books, 1995

4. McEwen BS. Meeting report - is there a neurobiology of love? Mol Psychiatry. 1997 Jan;2(1):15-6.

5. Keller L. Evolutionary biology. All's fair when love is war. Nature. 1995 Jan 19;373(6511):190-1.

6. Mosher SV. A fool for love.

7. Spink G. Monash University - The Chemistry of Love.

8. Chemistry of Love. Niazi Archive Essays.

9. Radio National - The Health Report. Biology of love.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

O que um susto provoca no corpo


1. Quando tomamos um susto, nossas reações são controladas por uma região do cérebro chamada sistema límbico, que regula nossas emoções e está relacionado à memória e ao aprendizado. Os reflexos que temos logo após a surpresa servem para que a gente enfrente ou fuja da ameaça
2. Para nos ajudar a reagir ao susto, o cérebro ordena às glândulas supra-renais (assim chamadas por estarem localizadas acima dos rins) que liberem adrenalina, hormônio que tem a função de preparar o organismo para o perigo, na corrente sanguínea
3. A descarga de adrenalina provoca uma série de efeitos. O primeiro deles é a aceleração dos batimentos do coração e a elevação da pressão arterial. O ritmo frenético aumenta o fluxo sanguíneo nos músculos, deixando-os mais aptos para enfrentar a situação

TREME-TREME
A tremedeira que dá após o susto é resultado da contração dos músculos das pernas, que nos conferem equilíbrio. Os tremores são movimentos involuntários que ajudam a queimar energia e consumir o excesso de adrenalina

OLHO GRANDE
Ao mesmo tempo em que faz o peito disparar, a adrenalina causa a dilatação das pupilas, em ambientes com pouca ou muita iluminação. Com a pupila dilatada, mais luz entra nos olhos e o assustado consegue enxergar melhor

CARA PÁLIDA
Como o sangue é direcionado para os músculos e para os órgãos vitais, como coração e cérebro, outras áreas do corpo ficam com a irrigação sanguínea reduzida. É o que acontece com os vasos superficiais que levam o líquido para a pele do rosto - sem sangue, ela fica pálida

PÊLO SIM, PÊLO NÃO
A contração muscular também é responsável pelo arrepio dos pêlos, mas isso não tem função nenhuma no homem moderno. Essa reação é apenas uma herança de nossos ancestrais macacos, que pareciam maiores e mais assustadores quando ficavam com os pêlos arrepi
ados.

Porque depois de comer sentimos sono


Porque o fluxo sanguíneo aumenta na direção do estômago e do intestino, para ajudar no processo da digestão, e o sistema nervoso fica menos irrigado. Com menos sangue chegando, diminui também o transporte de oxigênio. “Quando existe menos oxigênio no cérebro, o organismo entra em estado de falsa hibernação e, por isso, sentimos sono”, afirma a nutricionista paulista Vanderli Marchiori.
Essa é a explicação fisiológica clássica, mas, recentemente, uma equipe de cientistas da Universidade de Manchester, na Inglaterra, apontou outro fator envolvido nessa questão. Eles descobriram um mecanismo pelo qual o cérebro interrompe seu estado de alerta depois que comemos. Segundo os cientistas ingleses, a glicose, o açúcar encontrado nos alimentos, faz com que as células nervosas que nos mantêm alertas parem de emitir sinais para deixar as pessoas acordadas. Quando o corpo humano precisa de combustível – ou seja, comida –, os sinais de alerta são emitidos a todo momento. Mas, quando a fome é saciada, o cérebro pára de mandar tais sinais, daí a moleza que toma conta do corpo. Assim, depois daquela macarronada do domingo, somos dominados por uma vontade irresistível de tirar uma soneca

Porque Bocejamos

Confessa, você bocejou quando viu a foto ao lado, não é ? Pois é, não só você como a maioria das pessoas sente vontade de bocejar quando vê o próximo bocejando, ou simplesmente quando pensa em um bocejo.

Mas, porque é assim ? Você já parou para se perguntar porque isto ocorre ? Já se perguntou e não sabe a resposta ?

Cientistas norte-americanos estudaram os mecanismo do bocejo. A ação, que normalmente descreve o estado de sonolência, serve para aumentar a atenção. Através dele melhoramos a circulação sanguínea e diminuimos a temperatura cerebral, o que, de acordo com os investigadores, melhora a atenção.
Este mecanismo também se relaciona com o fato de o bocejo ser tão contagiante. Ao ser ‘transmitido’ para outra pessoa, melhora, em geral, o estado de vigília de todo o grupo.
Durante estudo, feito por Andrew e Gordon Gallup, da
Universidade de Albany em Nova Iorque, e divulgado pelo New Scientist , foi analisada a respiração e feita a contagem de bocejos de 44 alunos universitários, enquanto viam filmes que mostravam outras pessoas bocejando.
Foram detalhadas quatro formas diferentes de bocejar:
exclusivamente pela boca, exclusivamente pelo nariz, com o nariz tampado ou da maneira natural. Dos que respiravam naturalmente, verificou-se que metade bocejou ao ver os outros. No entanto, os que respiravam exclusivamente pelo nariz não bocejaram.
Quem estava a ver o filme com uma bolsa fria na testa também não bocejava. Já os que utilizavam uma bolsa quente ou de temperatura ambiente bocejavam normalmente.
De acordo com os cientistas, o cérebro trabalha melhor a menores temperaturas. A respiração feita pelo nariz é a mais eficaz para refrigerar o cérebro, uma vez que há vasos sanguíneos nasais que transportam sangue mais frio para o cérebro.

QUERO AR!
Teoria fisiológica aponta o bocejo como uma tática do organismo para ganhar mais oxigênio

1. Quando a oxigenação nos alvéolos pulmonares diminui, uma mensagem é enviada a uma região do cérebro chamada núcleo paraventricular, que fica no hipotálamo. De lá são liberados vários mensageiros químicos - os neutrotransmissores - que induzem ao bocejo e a reações simultâneas em todo o corpo
2. A boca se abre e a pessoa inspira uma grande quantidade de ar, que é enviado aos pulmões. Ao mesmo tempo, os músculos se alongam para melhorar a circulação e a taxa de batimentos cardíacos aumenta. Assim, a sensação de cansaço diminui e o corpo volta ao estado de alerta
3. O bocejo se caracteriza por ser um reflexo involuntário. É quase impossível interrompê-lo, mesmo que se queira - por isso a "contaminação" é tão grande. Estudos da Universidade Estadual de Nova York mostram que entre 40% e 60% das pessoas sentem-se contagiadas pelo bocejo.


O bocejo é um ato involuntário, porém é até gostoso. Relaxa, dá mais vida (ou mais sono). Portanto, aproveite para bocejar mais um pouco lendo isto.